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Banho de estrelas para voltar pra casa

posted by Juliana Garcia maio 8, 2016 0 comments
anisestrelado

“Hoje é dia”, sorriu enquanto preparava um banho de canela, mel e anis estrelado. Três ingredientes, três paus de canela, três círculos de mel no fundo da panela, três estrelas de anis. Enquanto a água esquentava, uma oração. Acendeu incenso bom, colocou música de elevar o coração até a linha do sorriso.

Levou para o banheiro suas velas daquelas. Cadê fósforo? Tinha caixas espalhadas pela casa e sempre as trocava de lugar. A única que tinha descanso mais ou menos cativo era a que ficava junto aos incensos. Dito e feito. Foi lá que encontrou.

Não importava se era dia, acenderia as velas ainda assim. Sorriu mais uma vez. Entrou para um banho morno, água descia gostoso pelo corpo, acordando e acolhendo. Que linda manhã para se dar um banho após o banho. Para se cobrir de espuma cheirosa, depois deixar a água ir desfazendo aquele véu branco, sentir o sol entrando pela janela do espaço diminuto naquela manhã de domingo de outono. Depois despejar a água do banho especial, para celebrar aquele momento.

Lembrou das várias vezes em que fez um banho assim antes de encontrar alguém. Daí se lembrou que o que mais lhe encantava nesses encontros, acontecia internamente. Era a surpresa de se sentir tão leve, doce, forte, tão fluindo no instante, dançando por dentro, sua forma ganhando destino no olhar do outro, se entregando bonita e inteira. O mais gostoso desses encontros, era se encontrar consigo naquelas formas tão novas e tão intensas em seus tons.

Sorriu de novo. Tinha encontro marcado, sim. Consigo. Decidiu que naquela manhã iria invocar sua beleza inteira de novo. Faria a mais linda oração, se chamando de volta pra casa. Para se receber em toda sua exuberância viva. Dançando e cantando, por fora e por dentro. Sentindo o banho após o banho despertar toda sua força selvagem não domesticada. Toda energia da sua natureza, que decidiu chamar para si. E foi forte, foi vivo, foi cheiroso, foi encontro. Um lindo reencontro numa manhã de domingo, numa manhã de outono, entre perfumes de incenso, velas, espumas, e um certo banho de mel, canela, anis e estrelas.

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